Morro do Borel @ Rio de Janeiro

Em uma conversa casual é que surgiu o convite do Fabricio Cunha para embarcamos para o Rio de Janeiro e passarmos uma semana no Morro do Borel. A idéia era acompanhar a semana do pessoal da IBAB Jovem, nas diversas ações que aconteceriam na comunidade, junto com o pessoal da JOCUM Borel.

Na hora o coração bateu mais forte. Conviver de perto com uma realidade que difere e muito da nossa é sempre um desafio, mas a alegria de fazer parte de algo, não apenas novo, mas também nobre em sua essência, nos deixa animados. Quando percebemos que somos parte de algo maior que a nossa rotina, nossos trabalhos e nossas redes sociais, que somos parte de um organismo vivo que reage a cada pequeno estímulo nosso, a vida faz um pouco mais de sentido. Não apenas a nossa vida, mas a de muita gente.

Na comunidade do Borel, entre as várias ações promovidas naquela semana, foram feitas ações que envolviam beleza para as mulheres, aulas de auto-maquiagem, educação cívica para crianças, orientação e aconselhamento para jovens e adolescentes, revitalização da comunidade, graffiti (com o amigo Marcelo Eco) e, no último dia, uma passeata para conscientizar a comunidade a respeito do uso consciente da água e da necessidade de cuidar corretamente do lixo.

A experiência foi marcante para nós. Além dos muitos amigos que fizemos por lá, ficarão marcadas as lições de vida que aprendemos com os moradores do Borel. O passeio que fizemos com o “Pedro do Borel” pelas estreitas ruas da comunidade enquanto ele narrava um pouco dos seus 17 anos dedicados com muito amor àquela comunidade certamente vai ficar na lembrança por um bom tempo.

Enquanto editava essas imagens minha preocupação era a de que as cores não maquiassem a realidade, porém não tem como esconder a alegria das cores que a comunidade do Borel tem. Faz parte do dia-a-dia deles. Minha solução foi ressaltar o granulado das imagens, pra valorizar o esforço da cor em continuar lá.

Sugiro ouvir “Amor que nos faz um” do Palavrantiga enquanto curte as imagens.

“Nunca desvie de alguém que merece ajuda; sua mão é como a mão de Deus para esta pessoa.” Provérbios 3:27 (traduzido da versão The Message)

8 comments

  1. O Borel virou um solo sagrado em minha vida, uma “terra santa”. Encontrei-me com o Jesus que se revela no rosto do pobre aí. Sempre que fui “atender” a algum pobre, antes de estar no Borel, achei-me fazendo algo por ele. Só aí, percebi que eu precisava mais deles do que eles de mim. Na primeira vez que fui, pensava estar levando Jesus para o Borel. Estava mesmo. Sö não imaginava que Ele já estava lá havia muito tempo e que me esperava para me transformar, como lhe é bem peculiar. O Jesus que habitava em mim, tinha marcado um encontro com o Jesus que habitava o Borle, o mesmo Jesus, transformando aqui e lá ao mesmo tempo e, nesse encontro, dando um potencial inimaginável ao que estava fazendo em mim, mais do que através de mim.
    Conheço bem alguns desses rostinhos, que vi pela primeira vez ainda no colo, ou correndo descalços pelos cantos do morro.
    Conheço bem esses becos, onde me escondi algumas vezes para orar, chorar, lamentar a indignidade, celebrar a alegrai de se viver com pouco.
    Conheço as cores desse céu, riscado pelas pipas coloridas, expressão de que a vida pode voar alto, para fora da tristeza do que se vê, muitas vezes, em seu chão.
    Conheço essa cruz no topo, tema de umas das mais lindas histórias que ouvi sobre Jesus de Nazaré, vivida e contada pelo Pedro, revivida e recontada por mim tantas e tantas vezes. (http://fabriciocunha.com.br/umarapidasobre-evangelizacao/).
    Conheço o Neto, homem de valor, alguém de quem esse mundo não é digno.
    Conheço bem o Borel, meu solo sagrado, terra santa de minha jornada por essa terra de dores e de alegrias.
    Conheço bem o rosto do Cristo revelado no pobre, que caminha descalço, pés sujos, sem ter onde reclinar a cabeça. Que ama intensamente e desesperadamente. Que, por mim e pelo Borel, deu a vida. Achei que o conhecia bem, mas foi aqui que o conheci de fato, num encontro marcado num beco.

  2. Que lindo poder ver isto, que trabalho cara.
    conseguiu retrar de forma sensacional o que é esta comunidade. QUe costumo dizer que é minha comunidade. Foi muito bom fazer parte disto junto contigo cara.
    Abraços

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